quinta-feira, 23 de julho de 2015

Inauguração da Estação União

Há um tempo atrás tive a oportunidade, juntamente com meu amigo Marcio Roberto, de digitalizar para o Acervo Histórico da Prefeitura de Porto União, as 76 fotografias da inauguração da Estação União, mantidas em um álbum pela Fundação de Cultura de União da Vitória.

Já tinha um bom tempo que queria disponibilizá-las mas não tinha encontrado tempo para isso, contudo, li um texto outro dia de uma querida amiga, Sra. Therezinha Leony Wolff que me inspirou a fazer essa postagem. Vamos a ele:

Em 15 de agosto de 1942, é inaugurado um conjunto de obras incluindo aí a estação de passageiros. Racionalizando espaço e tempo e respeitando a tradição de duas cidades juntas colonizadas, a Rede julgou por bem substituir as duas estações por dois corpos, iguais em área coberta e fisionomia arquitetônica, ligados de modo a formar uma grande abóbada em arco e por meio de uma galeria subterrânea reservada ao trânsito de pedestres. 








Para que não houvesse nenhum tipo de rancor por parte das duas cidades, a estação foi denominada de "União", a fim de manter os laços de amizade entre as cidades. O evento contou com a presença de grande número de autoridades, como o Interventor Federal, no Paraná, Manoel Ribas, e da comunidade em geral. 







 


























Conforme a descrição precisa da pesquisadora Professora Therezinha Leony Wolff, na estação funcionou, do lado de Porto União, a Agência Postal Telegráfica a qual ocupava a parte térrea e superior ao lado sul da Estação. Uma escada interna estabelecia a ligação da Agência Postal com a sala do Telégrafo.




No lado norte, dependências térreas funcionavam o restaurante da Estação, dirigido pelo Senhor Salustiano Costa e servido pelo senhor França. O andar superior servia aos escritórios do 3º Distrito de Obras e Cadastro. 








Do lado de União da Vitória, na ala norte, ficavam os serviços de transmissão da Rede (telégrafo morse, telefone seletivo e rádio, PSF4). Na parte de baixo, a Agência da Estação.
No lado sul, andar superior, o Departamento de Pessoal e no térreo, o Setor Comercial da Rede. 
Algo que marcou na memória foi o movimento de pessoas nas bilheterias, nos saguões e nas plataformas. Passageiros recostados nos bancos, cochilando, enquanto aguardavam os trens, nem sempre no horário previsto.




Em ambos os lados da Estação, conjugados, quatro armazéns para carga e descarga de mercadorias. Alguns carregamentos, como de trigo e madeira, efetuavam-se nos depósitos das próprias firmas e o de animais, no Embarcadouro, em vagões para cujos acessos foram construídos ramais ferroviários específicos. 









Na inauguração da Estação de União foram incluídos também as três casas residenciais destinadas aos engenheiros da Via Permanente e Locomoção e ao Agente da Estação (na Visconde de Nácar); a balança de Vagões, as Oficinas da 5ª Residência e Depósito, o Escritório da Locomoção e o Depósito das máquinas (hoje depósitos de Grãos), a Cabide Telefônica (onde ficava o guarda chaves), todos construídos ao longo da linha, paralelos à Avenida (hoje Getúlio Vargas); a Vila Ferroviária, formada por sete grupos de casas quádruplas nas Estrada de Rodagem para o Rio da Areia, hoje Mal. Deodoro. 




 
Para abastecer de água o pátio e outros serviços da Estação foi construída uma caixa de concreto, no alto onde posteriormente foi construído o Estádio do Ferroviário (Texto: Profa. Therezinha Leony Wolff).

Texto extraído de: http://www.estacoesferroviarias.com.br/pr-tronco/portouniao.htm 



 











Inscrição Tombo 132-II
Processo Número 02/97
Data da Inscrição: 10 de outubro de 2.000

Localização: Município: UNIÃO DA VITÓRIA
Praça Visconde de Nácar, s/n.º
Proprietário:
Particular - Rede Ferroviária Federal S.A.

HISTÓRICO
A história das ferrovias no Paraná inicia-se em l885, quando é inaugurado o trecho ferroviário entre Paranaguá e Curitiba, assinalando um marco da engenharia brasileira, pela conquista na ultrapassagem da Serra do Mar. Até então, a serra era o grande obstáculo natural entre o litoral e o planalto curitibano. A partir deste momento o Paraná passava a contar com um sistema moderno de transporte que facilitaria as comunicações entre a jovem província, o restante do Império e outros países. O fácil escoamento de produtos como madeira e erva mate dinamizaram e deram um novo impulso na economia paranaense.

No ano de 1889, o mesmo engenheiro que concluíra a estrada de ferro Paranaguá - Curitiba, João Teixeira Soares, foi designado para construir uma linha ferroviária que tinha a finalidade de interligar as províncias do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso, alcançando as fronteiras da Argentina e Paraguai. Esta ferrovia foi o acontecimento mais importante para toda a região sul do Brasil e teve aspecto relevante na economia da região, compreendida pelos atuais municípios de Porto União ( Santa Catarina ) e União da Vitória ( Paraná ), na medida em que favoreceu o fluxo de produtos e intensificou a exploração dos recursos naturais como a madeira, principalmente o pinheiro (Araucária brasiliensis), e a erva mate (Iléx paraguaiensis).

Em 1905 foi inaugurada uma estação ferroviária em Porto União da Vitória, do lado direito do Rio Iguaçu, pois ainda não estava concluída a ponte que serviria para a sua travessia. Este evento alterou o panorama sociocultural da cidade, provocando a implantação imediata de uma variada rede de serviços para o atendimento daqueles que passavam então a utilizar o trem como meio de transporte. Até então, eram utilizados os vapores que faziam o transporte de carga e de passageiros entre Porto Vitória e Porto Amazonas. Em Porto Amazonas passavam os trens da Estrada de Ferro do Paraná, os quais realizavam as baldeações em direção a Ponta Grossa e/ou Curitiba. Hotéis, pousadas, restaurantes e outros tipos de comércio surgiram para atender a nova conjuntura urbana. Isto provocou, também, o aparecimento de uma nova classe de trabalhadores: os ferroviários, que tiveram importante desempenho na sociedade local. Com a inauguração da ponte provisória, em 1906, a estrada chega a cidade e, então, inaugurada uma estação, a qual teve como primeiro agente o Senhor Egídio Piloto.(1)

As ferrovias do sul do Brasil tiveram papel importante na história mais recente da nação. No Paraná, particularmente, encontramo-lo no episódio do Contestado e, alguns anos mais tarde, na Revolução de 1930. Elas foram amplamente utilizadas como meio de transporte pelas tropas militares desses dois acontecimentos e, consequentemente, as suas estações se transformaram em pontos estratégicos das tropas em ação.

Em 1916 é resolvida a questão de terras entre Paraná e Santa Catarina e ficou acordado que os limites passariam pela cidade de União da Vitória. Em consequência disso a cidade ficou dividida pelos trilhos da estrada de ferro São Paulo - Rio Grande.

A Estação “União”
Até o início da década de 1940, havia a inexplicável existência de duas estações ferroviárias distantes uma da outra poucos metros, servindo distintamente a estas cidades. Trens chegavam e partiam transportando passageiros e cargas das duas estações. Uma inconveniência: parar duas vezes na mesma comunidade. As pessoas desciam em União da Vitória e hospedavam-se em Porto União, as cargas descarregadas em Porto União eram entregues em União da Vitória (2). Através dos anos ficou evidenciada, tanto pelo governo federal quanto pelo estadual, a importância desse entroncamento ferroviário e, em 15 de agosto de 1942, é inaugurado um conjunto de obras incluindo aí a estação de passageiros. Racionalizando espaço e tempo e respeitando a tradição de duas cidades juntas colonizadas, a rede julgou por bem substituir as duas estações por dois corpos, iguais em área coberta e fisionomia arquitetônica, ligados de modo a formar uma grande abóbada em arco e por meio de uma galeria subterrânea reservada ao trânsito de pedestres. (3)

Para que não houvesse nenhum tipo de rancor por parte das duas cidades, a estação foi denominada de “União”, a fim de manter os laços de amizade entre as cidades. O evento contou com a presença de grande número de autoridades, como o interventor federal no Paraná, Manoel Ribas, e da comunidade em geral. Conforme a descrição precisa da pesquisadora professora Therezinha Leony Wolff, na estação funcionou, do lado de Porto União, a Agência Postal Telegráfica a qual ocupava a parte térrea e superior ao lado sul da Estação. Uma escada interna estabelecia a ligação da Agência Postal com a sala do Telégrafo. No lado norte, dependências térreas funcionavam o restaurante da Estação, dirigido pelo Senhor Salustiano Costa e servido pelo senhor França. O andar superior servia aos escritórios do 3º Distrito de Obras e Cadastro. Do lado de União da Vitória, na ala norte, ficavam os serviços de transmissão da Rede (telégrafo morse, telefone seletivo e rádio, PSF4). Na parte de baixo, a Agência da Estação. No lado sul, andar superior, o Departamento de Pessoal e no térreo, o Setor Comercial da Rede. Algo que marcou na memória foi o movimento de pessoas nas bilheterias, nos saguões e nas plataformas. Passageiros recostados nos bancos, cochilando, enquanto aguardavam os trens, nem sempre no horário previsto. Em ambos os lados da Estação, conjugados, quatro armazéns para carga e descarga de mercadorias. Alguns carregamentos, como de trigo e madeira, efetuavam-se nos depósitos das próprias firmas e o de animais, no Embarcadouro, em vagões para cujos acessos foram construídos ramais ferroviários específicos. Na inauguração da Estação de União foram incluídos também as três casas residenciais destinadas aos engenheiros da Via - Permanente e Locomoção e ao Agente da Estação (na Visconde de Nácar); a balança de Vagões, as Oficinas da 5ª Residência e Depósito, o Escritório da Locomoção e o Depósito das máquinas (hoje depósitos de Grãos), a Cabide Telefônica ( onde ficava o guarda chaves), todos construídos ao longo da linha, paralelos à Avenida ( hoje Getúlio Vargas); a Vila Ferroviária, formada por sete grupos de casas quadruplas ( nas Estrada de Rodagem para o Rio da Areia, hoje Mal. Deodoro. Para abastecer de água o pátio e outros serviços da Estação foi construída uma caixa de concreto, no alto ( onde posteriormente foi construído o Estádio do Ferroviário” (4).
(1) - Wolff. 1994.
(2) - Ibid.
(3) - Ibid.
(4) - Ibid.

 Texto extraído de: http://www.patrimoniocultural.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=159





8 comentários:

felipão disse...

Excelente atitude, obrigado por compartilhas estas fotos, que são de grande importância para o reconhecimento e lembrança da maravilhosa história das gêmeas do Iguaçu.

Lu disse...

Amei a reportagem !
Quando era criança viajei muito de trem para Erechim-RS.
Meu tio, Umberto Gaspari( Beto), trabalhou no predio e lembro de ter ido la varias vezes.
Era bom passear por ali!

Marly disse...

Que maravilha ver esses registros da cidade onde nasci.Acredito que meu pai como militar tenha estado nesse evento. Gostaria muito de saber por quem foram feitas essas fotos. Seria Foto Iris uma das pioneiras da cidade??

Anônimo disse...

Pode ter sido por Arthur Wischal ou Armin Henkel, fotógrafos da RVPSC.

Paulo Barczak disse...

Amigo Dinarte se superando mais uma vez.
Belísimas fotos da época e de um fato marcante para as cidades gêmeas. Como historiador adorei vê-las no seu blog. Continue assim.
Um grande abraço.

Ralph Mennucci Giesbrecht disse...

E destruíram tudo isso, toda essa infraestrutura que hoje faz falta demais ao Brasil. Parte culpa da RFFSA e parte culpa de prefeitos que pouco se importaram com isso e ainda auxiliaram na destruição. Uma vergonha.

Clovis coelho disse...

Quem é a menina em quase todas as fotos?????
brilhante documentário

Lucas oliveira torres disse...

manutenção de Câmeras de Segurança, CFTV, Alarme, controle de acesso

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